Beleza e Autoestima





Na sociedade contemporânea a juventude e a beleza são valores de extrema importância. A forma de se considerar o corpo esta intimamente relacionada às exigências culturais que influenciam na formação da imagem corporal, núcleo importante da personalidade. Padrões de comportamentos são propostos a ser seguidos, como na forma de ser fisicamente. Isto acontece principalmente nas mulheres, que culturalmente devem mostrar uma forma perfeita esteticamente, através da beleza. Incentivadas pela sociedade, revistas femininas e mídia que desempenham o papel de reforçar os padrões de beleza, através de dietas e exercícios muitas vezes sem o acompanhamento médico e psicológico. Assim, as mulheres se sacrificam a qualquer preço para manter-se dentro dos padrões estéticos de beleza. Essa busca constante pela aparência perfeita pode levar ao consumo exagerado de medicamentos, neuroses e depressão decorrentes da obsessão intensa e exagerada quanto à forma física. Outras doenças como anorexia e bulimia estão diretamente relacionadas ao culto ao corpo chamado de corpolatria. As pessoas podem muitas vezes se privar da alimentação ou comer compulsivamente, tornando-se maléfico à medida que se torna condição para o bem estar. Neste contexto, podemos imaginar que dentro de algum tempo esta situação possa se agravar ainda mais.


A imagem corporal é uma representação ou figuração mental do corpo e se organiza como um núcleo central da personalidade. A imagem que as mulheres expressam seja pelo corpo, sua forma de agir e se vestir, torna-se motivo de ansiedade, visto que estas se expõem ao exame público e aos padrões estéticos da sociedade. Acostumadas a considerar a beleza um bem, as mulheres buscam ser belas e aceitas pela sociedade, independente dos sacrifícios. Percebe-se a ideia de que realização pessoal é encontrar-se em perfeita forma física. Existe a preocupação excessiva com o não envelhecer, o não adoecer e com o se embelezar.


As revistas femininas mostram a “ideologia da beleza”, onde as mulheres são perfeitas fisicamente e envelhecer leva a sentimentos de medo, estresse, neurose obsessiva e pânico. Tais revistas mantêm as mulheres consumindo os produtos anunciados, na busca incessante de total transformação e realização pessoal.


A beleza física pode ser considerada o ícone da perfeição humana. O culto ao corpo e a fuga do envelhecimento com todos seus rituais e sacrifícios envolvem não apenas uma busca por melhores condições de saúde, mas também uma preocupação excessiva com a aparência.


A ideia que cada um tem sobre seu corpo é denominada imagem corporal. Um aspecto importante da imagem corporal é a autoimagem, sendo que esta se constitui da imagem interna somada a interação com o contexto social e ainda as ideias das outras pessoas, internalizadas. Podemos ver que as ideias, valores e padrões de nossa sociedade são internalizados e assim afetam nossa conduta e identidade.


A autoestima é um dos principais construtos da personalidade, que está alicerçada na imagem (o mais real possível) que a pessoa tem de si mesma, que é construída em base ao que os outros comentam de como a veem, como a pessoa se sente e percebe (como realmente é), aceitando ou rejeitando estas informações (quanto mais real, mais seria positivo, quanto mais irreal, mais distorcido)


Em nosso trabalho de conclusão de curso de psicologia foi realizada uma pesquisa sobre imagem corporal, onde se constatou em 50 mulheres entrevistadas que a maioria considera-se bela fisicamente, porém gostaria de modificar alguma parte de seu corpo e já utilizou algum método para mudar sua aparência física. Dentre o que gostariam de modificar verificou-se 22% barriga, 20% glúteos, 16% barriga e 13% seios.


Além disso, está crescendo o numero de homens que buscam na cirurgia plástica alguma melhora em sua aparência física. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o número de homens que se submetem a cirurgias estéticas aumentou de 8% para 28% nos últimos 10 anos.


O principal motivo que leva uma pessoa a se submeter a uma cirurgia plástica é a busca pela melhora na autoestima, seja consciente ou inconscientemente.


A estética visa aprimorar e harmonizar a forma, elevando a autoestima do paciente, contribuindo para o bem estar do indivíduo em seu sentido mais amplo. Neste contexto podemos citar cirurgias estéticas como desempenhando um importante papel na autoimagem e autoestima das pessoas, pois a mudança na forma física reflete na relação consigo mesmo e com o outro. A forma física tem influencia sobre os aspectos psicológicos do individuo.


Ao possuirmos uma autoimagem e uma autoestima mais positivas/reais, favorecemos nossas relações interpessoais, pois nos conhecemos melhor e gostamos mais de nós mesmos e conseguimos entender e gostar dos outros, tornando-nos pessoas mais afetuosas e respeitadoras das individualidades e diferenças. A natureza do belo depende do que entende por tal a sociedade, ou uma sociedade no decorrer de um determinado período, ou de uma sociedade no decorrer de um determinado período de sua história.


“O belo é o que causa prazer e agrado, é um atributo imanente nas coisas, é uma aparência, uma realidade absoluta, é quase uma espécie de bem que se fundamenta na perfeição...”


Na época de Freud os psiquiatras consideravam o culto excessivo à própria imagem como uma doença, hoje além de perder o caráter patológico, passou a significar sinônimo de bem-estar consigo mesmo.


Ao refletirmos sobre beleza precisamos aceitar a ideia de que toda tecnologia estética e cirúrgica nos auxiliam a melhorar nossa autoestima e autoimagem corporal. Quando isso se torna uma obsessão e perfeccionismo exagerado, devemos nos alertar para possíveis problemas psicológicos. Em tudo deve haver o equilíbrio e primeiramente devemos ter aceitação de sermos únicos e diferentes.


É maravilhoso podermos melhorar nossa imagem com aparelhos estéticos ou até mesmo cirurgia plástica, porque buscamos a beleza, tudo que é belo e tem harmonia, nos atrai, faz parte da natureza humana. O que devemos compreender é que a autoestima é construída a partir do nascimento e através das relações com nossos pais e posteriormente nas relações sociais. Trata-se do meu autoconceito, quando me olho no espelho o que vejo e o que sinto.


A imagem corporal influencia na minha autoestima, mas não é fator determinante, porque está relacionada aos aspectos psicológicos, como nossos pensamentos e sentimentos acerca de nós. Assim, há casos realmente significativos com a mudança pela cirurgia plástica, mas é necessário o acompanhamento psicológico, pois modificando o corpo, modifica-se a mente. E nem sempre a modificação da aparência será solução para problemas de causas emocionais.


Michele Valeska Méndez

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